Dez anos depois, Tinga se sente “assaltado” por expulsão contra Timão

 

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Tinga sofreu pênalti, mas acabou expulso por simulação na “final” do Brasileirão 2005  (foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

No dia em que a Fiel faz a festa pelo hexa, há quem ainda não tenha superado o tetra. Há exatos dez anos, o Corinthians deu um enorme passo para o título do Campeonato Brasileiro empatando por 1 a 1 com o Internacional, no Pacaembu, jogo mais marcante para colorados do que para alvinegros.

A formação do Parque São Jorge liderava com três pontos de vantagem em relação ao time gaúcho, segundo colorado. No dia 20 de novembro de 2005, a três rodadas do fim do certame, as equipes fizeram um confronto direto pela ponta. Carlitos Tevez abriu o placar aos 37 minutos, e Rafael Sobis deixou tudo igual no início da etapa complementar. Mas foi uma decisão errada do árbitro Márcio Rezende de Freitas, aos 28 minutos, que deixaria os colorados indignados.

O volante Tinga foi derrubado pelo goleiro Fábio Costa na área, mas o árbitro mineiro – que, procurado pela reportagem, recusou-se a conceder entrevista quando tomou conhecimento do tema – não assinalou o pênalti e ainda expulsou o gaúcho por simulação. A partida terminou empatada, o alvinegro protegeu a vantagem nas três rodadas seguintes e festejou o título no Serra Dourada. Foi apenas mais um capítulo manchado na carreira de Márcio Rezende, autor de erros cruciais também nas finais dos Nacionais de 1995 e 1999, vencidas por Botafogo e Corinthians.

Mas o lance não foi a única polêmica do Brasileiro daquele ano. Dois meses antes, a Máfia do Apito veio à tona. O esquema protagonizado pelo árbitro Edílson Pereira de Carvalho, que comprometeu os resultados das 11 partidas que apitou para ajudar apostadores a lucrar, obrigou o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) a anular e remarcar os jogos.

O Inter, que perdeu a liderança com a decisão, sentiu-se prejudicado pelo episódio, A equipe acabou recuperando os pontos da vitória sobre o Coritiba, vencendo pelo mesmo placar. Já o Corinthians teve a chance de reverter as derrotas para Santos e São Paulo, e, apesar do empate com o Tricolor, recuperou quatro pontos – o suficiente para assumir a dianteira.

Dez anos depois, Tinga ainda lembra do pênalti não marcado como o lance que minou as chances do Inter de ser campeão brasileiro e ampliou o jejum que já dura 36 anos. Nesta entrevista, o meio-campista mostra que uma década não foi o bastante para superar as mágoas que levaram o Corinthians à condição de arquirrival colorado, mas garante que o título perdido foi o combustível que uniu o elenco vermelho e branco rumo às inéditas conquistas da Libertadores e do Mundial no ano seguinte.

Dez anos depois, como você vê aquele jogo?
Foi o jogo que praticamente nos tirou a possibilidade de sermos campeões. A competição já estava manchada, foi um ano repleto de escândalos, principalmente de arbitragem. Aquilo acabou virando um marco para o Inter. Tenho o mesmo sentimento do torcedor, poderia ter mais uma taça no armário, mais uma faixa ou um prêmio, mas não foi por causa de um erro.

Você culpa Márcio Rezende de Freitas pelo lance?
Não. Ele é um ser humano como qualquer outro, que errou e depois acabou admitindo. Se foi apenas um erro humano, a gente acaba aceitando. Faz parte do futebol. Só não seria aceitável se fosse premeditação ou negócio. Como ele disse que foi erro, a gente aceita e lamenta a possibilidade de ter podido ganhar mais.

O episódio em 2005 teve influência nas conquistas de Libertadores e do Mundial de 2006?
Com certeza. Se nós não tivéssemos passado por aquele ano de 2005, da maneira como foi, nós não seriamos a equipe vencedora que depois veio a alcançar o mundo no ano seguinte. Aquilo fortaleceu e amadureceu a equipe que havia sido formada há apenas um ano. Afinal, não foi apenas o jogo contra o Corinthians. Também fomos prejudicados pelos 11 jogos que foram anulados e remarcados por causa da Máfia do Apito. Nossa equipe foi madura. E o jeito que a torcida nos recebeu depois do último jogo, como se fossemos campeões, nos deu confiança. A torcida passou a jogar muito próxima do Inter. Em 2006, era muito difícil a gente perder no Beira-Rio. Se a gente tivesse sido campeão brasileiro em 2005, tenho quase certeza de que não teríamos conquistado a Libertadores e o Mundial logo depois.

Você acha que, por ser uma competição de pontos corridos, é possível afirmar que um jogo – no caso, um lance – pode decidir o título?
Aquele lance não definiu. Poderíamos ter batido o pênalti errado, claro. Mas, além de perder a cobrança, ficamos com um jogador a menos. Se fosse 11 contra 11, teríamos mais chance de continuar buscando o resultado. Poderíamos falar só das vitórias, mas, na verdade, aquele jogo do Inter contra o Corinthians foi só a cereja do bolo de tudo que aconteceu no campeonato. Há uma identificação como “final” por ter sido jogo direto entre líder e vice-líder, mas, na verdade, o campeonato estava comprometido desde que Edílson admitiu a manipulação de resultados e os jogos voltaram. Dois anos depois, o ex-presidente do Corinthians falou sobre o campeonato também. Várias coisas cooperaram. Com certeza os corintianos vão falar que foi só um jogo. Quando se trata de adversário direto, primeiro e segundo colocados, sendo que um deles já foi beneficiado na recuperação dos jogos e o outro não teve nenhuma vantagem, não é um jogo que vai decidir. Fomos assaltados, e é natural que passamos a identificar como o jogo que nos tirou o título.

Você reencontrou Fábio Costa após o lance?
Nos encontramos em um jogo no ano seguinte, mas não falamos sobre isso. Para jogador, é algo muito natural. Ele fez o trabalho dele, eu o meu, quem tem que decidir é o juiz. Nada fora do normal. Um quer pênalti, o outro fala que não é.

Você se aposentou no Cruzeiro no início do ano. Ainda acompanha futebol? Como vê essa edição do Brasileiro e a campanha do Corinthians?
Sim, mas menos do que quando era jogador. Agora só vejo quando estou em casa, não me programo para assistir. O Corinthians está jogando um futebol moderno. É o time que joga o melhor futebol, não há como negar. É interessante ver coisas boas dentro de campo, independente da camisa. Sou torcedor colorado, mas contra fatos não há argumentos. Hoje o Inter tem dois rivais: Grêmio e depois Corinthians. Mesmo assim, estou gostando de ver esse futebol vencedor.

É verdade que o Fernandão fez um churrasco em Goiânia após o rebaixamento do Corinthians em 2007?
Não estava sabendo. Não procede. Fernandão era um atleta do mais alto nível, não se preocuparia com o rebaixamento do Corinthians. Era um atleta vencedor, e estava preocupado com suas conquistas. Nunca ouvi isso, se fosse verdade com certeza saberia.

*especial para a Gazeta Esportiva

 

 


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Fonte: Gazeta Esportiva

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