CPI quer sessão para discutir agressão ao presidente da Gaviões

00819534 CPI quer sessão para discutir agressão ao presidente da Gaviões
Contrário ao fim das organizadas, presidente da CPI quer esclarecimentos em sessão (Foto:Sérgio Barzaghi/Gazeta Press)

A CPI das Torcidas Organizadas deve ter o cronograma alterado nos próximos dias. Com prazo limite até o mês de maio, a comissão parlamentar planeja agendar uma sessão extraordinária na Câmara para esclarecer detalhes da agressão a Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca, presidente da Gaviões da Fiel.

Na última quarta-feira, mesmo dia em que o Corinthians venceu o Santa Fe-COL, o presidente da torcida e um outro integrante foram vítimas de uma emboscada na zona oeste da capital paulista. Após reunião no Fórum da Barra Funda, com representantes de torcidas de Palmeiras e São Paulo, os dois membros da Gaviões foram agredidos no estacionamento de um supermercado.

Diguinho, como era conhecido pelos membros da agremiação, teve os dois braços fraturados e hematomas na face. Já Cristiano Simões, que estava ao lado do presidente, teve os dentes quebrados e também precisou ser dirigido ao hospital.

Áudios e imagens pipocaram na rede relacionando o acontecido à rivalidade entre Gaviões da Fiel e Mancha Alviverde. No entanto, com base em outras imagens e gravações divulgadas na rede, criou-se a desconfiança de que membros da Torcida Independente, do São Paulo, estariam envolvidos na ação.

Diante das especulações, o vereador Laércio Benko (PHS), presidente da CPI das Torcidas Organizadas, pretende tomar frente no processo com o intuito de esclarecer o acontecido. “Chegaram até nós as informações que foram colhidas com base na imprensa e internet. Vamos convocar uma sessão para ouvir a Gaviões e a Independente”, confirmou o parlamentar, sem cravar um culpado.

“Até pela localização estava sendo veiculado que poderia ser a Mancha Verde, o que não se confirmou. Na realidade temos os nervos à flor da pele entre todas as torcidas. Efetivamente, pudemos reparar que tem um nível acima do normal com relação às torcidas do São Paulo e do Corinthians”, comentou o vereador em entrevista à Gazeta Esportiva nesta segunda.

Defendendo que a extinção das torcidas organizadas é “balela”, e que, na prática, não teria efeito algum, Benko reconhece que a animosidade entre as torcidas pode diminuir a partir do momento que o clube se responsabilize pela ação das agremiações. Porém, atualmente, a parceria só acontece quando interessa.

“Não é só a Polícia Militar que vai resolver o problema, não é um problema policial. Tenho uma tese, defendida na CPI, que só vamos chegar a algum lugar quando os clubes e as federações forem responsabilizados. Não temos como dissociar a organizada do clube. Ela é um fruto do clube., Quando se trata da questão de dinheiro, todos estão juntos. Quando o assunto é violência, as entidades que deveriam se responsabilizar desaparecem”, disse.

Reprovando o fato de as torcidas organizadas serem encaradas como “bois de piranha” do futebol brasileiro, sendo usadas como desculpa para o que de ruim acontecer no esporte, o vereador condenou a exploração que é feita das imagens de tais agremiações. Na filmagem da TV, é a organizada quem puxa a festa, mas, ao mesmo tempo, é ela a protagonista das confusões.

“Tentarei conduzir a CPI agora de modo a acabar com essa demagogia de terminar com as organizadas. Isso é enxugar gelo. Temos que trazer essa responsabilidade para os clubes e as federações. Uma saída é criar um departamento de torcidas organizadas, assim como o marketing se responsabiliza por produtos licenciados. Se isso vai ser uma saída, eu não sei”, admitiu.

*Especial para Gazeta Esportiva


Fonte: Gazeta Esportiva

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