Tite assume “parcela de contribuição” para derrota do Corinthians na Vila

Uma escolha de Tite, na própria avaliação do treinador, contribuiu para a derrota por 2 a 0 do Corinthians para o Santos, na Vila Belmiro. Ele não estava falando da escalação de seis reservas no clássico, mas da opção pela utilização de três atacantes, o que tornou o meio-campo mais frágil.

“Eu tive parcela de contribuição porque a equipe normalmente joga com quatro meio-campistas. Ficamos com jogadores agudos, mas faltou o setor de criação. Estou dando a letra para vocês dizerem: ‘Tu fala que precisa ter superioridade no meio-campo, e não teve”.

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Tite escalou Lucca e outros dois atacantes na Vila Belmiro (foto: Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians)

Justamente por estar poupando mais de meio time, priorizando a Copa Libertadores, Tite não tinha muitos atletas de armação à disposição. Rodriguinho, Giovanni Augusto e Guilherme não ficaram nem no banco de reservas. Danilo foi o meia central, e só Alan Mineiro ficou como opção.

O último jogador citado tinha no Corinthians apenas alguns minutos em campo, na pré-temporada, em amistoso contra o Fort Lauderdale Strikers. Ele foi acionado no intervalo e substituiu Romero. Assim, foi refeita a construção com quatro meio-campistas e dois atacantes.

“No segundo tempo, a equipe voltou a ser a que nós estamos acostumados a ver. Independentemente dos nomes, tem mantido o padrão. Mas estávamos atrás no placar, e o Santos tem a jogada do contra-ataque. É inevitável”, disse Tite, observando que o placar foi fechado em uma jogada de velocidade.

“Mas fico feliz pela capacidade de reação, pela estreia do Alan. Não estou feliz pelo resultado, não estou. Vou ficar chateado, de cabeça quente, mas preciso ter o discernimento de avaliar o desempenho. O Santos enfiou a bunda lá atrás no segundo tempo. Foi chutar uma bola aos 30. Na outra que chutou, fez o gol”, acrescentou.

O que também mudou após o intervalo foi o cerco a Lucas Lima. O articulador do jogo do Santos rodou por todo o campo com muita liberdade ao longo dos 45 minutos iniciais. Na sequência, teve mais dificuldade.

“A gente ajustou um pouquinho no intervalo. O Lucas Lima flutua, vai buscar perto dos volantes, nas duas meias, inclusive aberto dos lados. Às vezes, abre do lado para passar, o Gabriel vai por dentro ou o outro menino, isso, Serginho, vai por dentro. Tu diminui as possibilidades dele, não retira. Pedi para que agredissem mais para que o passe fosse travado”, relatou o treinador do Corinthians.

De fato, a marcação dos visitantes foi mais agressiva no segundo tempo. Era difícil ser menos. A formação do Parque São Jorge não fez nenhuma falta na metade inicial.

“Fazer falta não é mérito nem demérito. Prefiro olhar a qualidade técnica. Tenho que ter bom-senso. Por mais que doa. Se não, a gente vai ficar toda hora: ‘O que não fez?’. Tem que olhar o mérito do outro lado, um time coordenado. E não ficar falando: ‘Por que não deu porrada no cara?”, concluiu o gaúcho.


Fonte: Gazeta Esportiva

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